V Encontro RedLAco · México 2026

Metodologias em comunicação organizacional

Cuidar pessoas, comunidades e organizações

20 e 21 de julho de 2026UANL · Monterrey, MéxicoFormato híbrido

Apresentação

Como pesquisamos a comunicação organizacional e como cuidamos

Convidamos você a participar do V Encontro da RedLAco, que este ano terá como tema central Metodologias na Comunicação Organizacional: cuidando de pessoas, comunidades e organizações. O Encontro será realizado nos dias 20 e 21 de julho de 2026, tendo como sede a Universidad Autónoma de Nuevo León (UANL), na cidade de Monterrey, México, e as atividades ocorrerão na Facultad de Ciencias de la Comunicación (FCC) em formato híbrido de apresentação. O Encontro RedLAco é um espaço para a difusão de pesquisas e projetos de comunicação e também busca consolidar uma rede de acadêmicos e profissionais da área; por isso, recomendamos que a participação seja presencial.

Esta edição busca consolidar os aportes dos Encontros anteriores, com importância fundamental para o diálogo regional sobre como pesquisamos a comunicação organizacional na América Latina e como as metodologias que utilizamos podem contribuir para o cuidado daqueles que compõem as organizações, das comunidades a elas ligadas e dos territórios onde estão inscritas.

A RedLAco se consolida desde 2018, com a organização do primeiro encontro, no âmbito do XIV Congresso da ALAIC de 2018, realizado na Costa Rica. Naquele Encontro, pesquisadoras e pesquisadores de diversos países refletiram sobre os avanços e os desafios da área. A partir desse processo colaborativo surgiu a Rede Latino-Americana de Pesquisa em Comunicação Organizacional (RedLAco), com o objetivo de consolidar uma comunidade acadêmica regional, fortalecer linhas de pesquisa desde e para a América Latina e promover relações de intercâmbio internacional e com a sociedade civil.

Justificativa

Uma tradição metodológica latino-americana

A tradição latino-americana desenvolveu um corpus metodológico que desafia abordagens positivistas e a rígida separação entre teoria e prática. Metodologias como a Pesquisa-Ação Participativa (Velásquez et al., 2021; Figueiredo, 2015), abordagens de interculturalidade crítica (Gualdieri & Vázquez, 2018) e propostas de sentipensar (Fals Borda, 1978; veja também Escobar, 2014; Sandoval-Forero, 2021) ressaltam a importância de produzir conhecimento situado, relacional e comprometido com a transformação social. Nessas perspectivas, a pessoa pesquisadora participa como parte de um processo dialógico que reconhece o agenciamento epistêmico das comunidades, atores organizacionais e coletivos sociais.

A comunicação decolonial e a ética do cuidado (Tomiatti & Donayre, 2024) oferecem uma visão crítica da produção de conhecimento, destacando a necessidade de tornar visíveis as vozes marginalizadas, redistribuir o poder epistêmico e promover práticas comunicativas voltadas para o bem-estar coletivo e a sustentabilidade da vida. De forma semelhante, as metodologias horizontais discutidas em “América Latina en discusión” (Hammerschmidt et al., 2023) mostram que a construção conjunta do conhecimento amplia a compreensão das realidades organizacionais e gera vínculos mais éticos e responsáveis entre aqueles que pesquisam e os que participam.

Eixos temáticos

Quatro eixos de trabalho

Os eixos temáticos do V Encontro RedLAco são detalhados abaixo. Propostas fora dos eixos temáticos também são aceitas, dentro do quadro das perspectivas e eixos trabalhados na Rede.

  1. Eixo 1

    Epistemologias do cuidado na comunicação organizacional

    Este eixo convida a pensar as epistemologias do cuidado na comunicação organizacional a partir de abordagens feministas, decoloniais e críticas que desafiam a neutralidade metodológica. A partir de uma ética da reflexividade e do posicionamento situado (Haraway, 1988), são questionadas as epistemologias hegemônicas que separam conhecimento, subjetividades, afeto e poder. Contribuições de intelectuais feministas decoloniais latino-americanas, como Ochy Curiel (2019), Yuderkys Espinosa Miñoso (2014), Silvia Rivera Cusicanqui (2008) e Julieta Paredes (2010), permitem construir propostas teóricas e metodológicas sensíveis, relacionais e situadas, orientadas para o cuidado de pessoas, comunidades e organizações atravessadas por desigualdades coloniais e de gênero (Lugones, 2011).

  2. Eixo 2

    Metodologias do Sul: sentipensar, interculturalidade e decolonialidade

    Este eixo convida a refletir sobre metodologias na comunicação organizacional a partir das epistemologias do Sul, que propõem uma ecologia de saberes que desafia a hegemonia epistemológica moderna, colonial e eurocêntrica, baseada na denúncia das ausências, na documentação das emergências e no diálogo intercultural (Santos & Meneses, 2014). Em diálogo com os trabalhos sobre sentipensar (Fals Borda, 1978; ver também Escobar, 2014; Sandoval-Forero, 2021), interculturalidade crítica (Walsh, 2010) e decolonialidade (Lugones, 2018), este eixo convida a repensar as estratégias e os desenhos metodológicos, bem como o papel das pessoas pesquisadoras e daquelas que participam da pesquisa, assim como as relações entre elas.

  3. Eixo 3

    Pesquisa-Ação Participativa e metodologias colaborativas

    Este eixo aborda a Pesquisa-Ação Participativa (PAP) e as metodologias colaborativas na comunicação organizacional como práticas de cuidado e transformação social. Desde Fals Borda (1990; Rahman & Borda, 1988) e Freire (2017; Olmeda & Luque, 2020), a PAP promove a co-construção de diagnósticos e intervenções com organizações, comunidades e territórios. Este eixo permite refletir sobre experiências de trabalho colaborativo que redistribuem a autoridade epistemológica. O eixo também problematiza os desafios éticos e metodológicos ligados ao poder, à reflexividade e à sustentabilidade dos processos participativos (Corona Berkin, 2017).

  4. Eixo 4

    Cuidado, sustentabilidade e organização

    Este eixo propõe repensar a comunicação organizacional do ponto de vista do cuidado, do bem-estar e da sustentabilidade da vida, em diálogo com organizações, comunidades e territórios. A partir dos feminismos do Sul e da ecologia política latino-americana (Svampa, 2019; Gudynas, 2012), questionam-se os modelos organizacionais extrativistas. O eixo convida a propostas metodológicas que integrem sustentabilidade ambiental, social e afetiva, e convoca a analisar a cultura e o fazer organizacional como espaço-chave para a transformação social e a reconfiguração de laços mais justos e solidários.

Formato e modalidades

Como participar

  • Formato híbrido

    O Encontro terá formato híbrido de participação, mas, pensando na formação e consolidação da rede, damos preferência à participação presencial.

  • Apresentações em português ou espanhol

    Professores, pesquisadores, doutorandos, mestrandos e profissionais de comunicação poderão participar com uma apresentação oral dentro dos eixos temáticos propostos.

  • Certificado de participação

    Para participar, sua proposta deve ser previamente aceita pelo Encontro, e, para obter o certificado de participação, é essencial comparecer aos dois dias do evento.

Requisitos de envio

Envio de propostas

As propostas, em português ou espanhol, podem ser sobre projetos de pesquisa, pesquisas em andamento, resultados de pesquisa, experiências de transferência/prática ou inovação educacional. Essas pesquisas devem ser públicas, não comerciais e com resultados que possam ser divulgados. Devem apresentar no máximo 3 autores por proposta.

Envie a proposta de resumo expandido (500-1000 palavras + referências bibliográficas, formato APA) seguindo a seguinte estrutura:

  • Tipo de participação (presencial ou virtual)
  • Título do trabalho
  • Nome(s) e afiliação(ões)
  • Eixo temático
  • Três a cinco palavras-chave
  • Resumo expandido – estrutura IMRC (Introdução, Método, Resultados e Conclusão)

Datas importantes

Calendário do Encontro

  1. 23 JAN 2026Lançamento da convocatória
  2. 15 ABR 2026Ampliação – prazo para envio dos resumos
  3. 15 ABR 2026Comunicação dos resumos aceitos
  4. 15 MAI 2026Inscrição e pagamento
  5. 30 MAI 2026Publicação do programa final
  6. 15 JUN 2026Submissão dos artigos completos
  7. 20–21 JUL 2026Realização do V Encontro RedLAco

Inscrição e pagamento

Custos de inscrição no V Encontro

ModalidadeEncontro 2026Anuidade 2026/2027*Total combo
Presencial para pesquisadoresMembros$40$25$65
Online para pesquisadoresMembros$60$25$85
Presencial para pesquisadoresNão membros$70—$70
Online para pesquisadoresNão membros$90—$90
Estudantes de graduação e profissionais (certificado de apresentação) ou ouvintes (certificado de assistente)Não membros$10Não se aplica—

*Este é o custo da anuidade da RedLAco. Valores em dólares americanos (USD).

Como pagar

PayPal

A taxa de inscrição deve ser paga via PayPal para @grisguillen, em nome de Griselda Guillen Ojeda. Ao pagar, altere a moeda para dólares (USD) e preencha o valor correspondente à modalidade de participação.

Faça o download ou salve o recibo (PDF ou .doc) e confirme sua inscrição completando o formulário. Todos os autores deverão realizar o pagamento e o envio pelo formulário.

Formulário de confirmação

Certificado

Individual

Todos os autores do trabalho devem formalizar a inscrição para participar e receber o certificado, que é individual. A presença nos dois dias do evento é obrigatória para a obtenção do certificado de participação.

Você também pode pagar a anuidade* para se tornar membro da RedLAco e participar de todas as atividades organizadas pela Rede.

Programação

Duas jornadas acadêmicas

Esta programação responde a uma lógica acadêmica, participativa e estratégica, coerente com os princípios da RedLAco. A combinação equilibrada entre plenárias, eixos temáticos como espaços de articulação e assembleia permite não só o intercâmbio de conhecimento, mas também a tomada de decisões coletivas e a consolidação da Rede.

Segunda-feira, 20 de julho

Jornada da tarde
  1. Recepção dos participantes
  2. Abertura e conversatório de abertura
  3. Eixos – grupos temáticos (primeira sessão)

Terça-feira, 21 de julho

Jornada completa
  1. Eixos – grupos temáticos (segunda sessão)
  2. Mesa-redonda: Contribuições e metodologias de/para a comunicação organizacional
  3. Almoço (livre)
  4. Conversatório de encerramento
  5. Assembleia RedLAco e encerramento
  6. Jantar (por adesão)

Programação completa (PDF)

Coordenação

Quem organiza

Coordenação RedLAco

  • Liliana del Ángel Cortés

    Universidad Autónoma de Tamaulipas (UAT) · México

  • Ana Almansa-Martínez

    Universidad de Málaga (UMA) · España

  • André Quiroga Sandi

    Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) · Brasil

  • Larissa Conceição Santos

    Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) · Brasil

  • Gabriela Baquerizo-Neira

    Universidad de los Andes (UANDES) · Chile

Coordenação local – UANL/FCC

  • José Gregorio Alvarado Pérez

    Universidad Autónoma de Nuevo León (UANL) · México

  • Janet García González

    Universidad Autónoma de Nuevo León (UANL) · México

Referências 25
  1. Borda, O. F. (1990). La investigación-acción participativa en América Latina. Análisis Político, (9), 120-120.
  2. Corona Berkin, S. (2017). Flujos metodológicos desde el Sur latinoamericano. La zona de la comunicación y las Metodologías Horizontales. Comunicación y sociedad, (30), 69-106.
  3. Curiel, O. (2019). Construindo metodologias feministas desde o feminismo decolonial. Descolonizar o feminismo, 32-51.
  4. Cusicanqui, S. R. (2008). El potencial epistemológico y teórico de la historia oral: de la lógica instrumental a la descolonización de la historia. Teoria crítica dos direitos humanos no século XXI, 154-76.
  5. De Sousa Santos, B., & Meneses, M. P. (2014). Epistemologías del sur (Vol. 75). Ediciones Akal.
  6. Escobar, A. (2014). Sentipensar con la tierra. Nuevas lecturas sobre desarrollo, territorio y diferencia. Medellín: Ediciones UNAULA.
  7. Espinosa-Miñoso, Y. (2014). Una crítica descolonial a la epistemología feminista crítica. El cotidiano, 29(184), 7.
  8. Fals Borda, O. (1978). El problema de cómo investigar la realidad para transformarla por la praxis. Bogota: Tercer Mundo editores.
  9. Figueiredo, G. de O. (2015). Investigación Acción Participativa: una alternativa para la epistemología social en Latinoamérica. Revista de Investigación, 39(86), 271–290.
  10. Freire, P. (2017). Pedagogía del oprimido (2ª ed., 4ª reimpresión). Siglo xxi.
  11. Gualdieri, B., & Vázquez, M. J. (2018). Del “otro” al “nos-otros”: metodologías y diálogos desde el sentipensar del Sur. En P. Medina (Coord.), Pedagogías del Sur en Movimiento. Universidad Veracruzana.
  12. Gudynas, E. (2011). Buen vivir: Germinando alternativas al desarrollo. América Latina en movimiento, 462(2), 1-20.
  13. Hammerschmidt, C., Anapios, L., Tomadoni, C., Oliveira de Souza, F., & Espul, S. (2023). América Latina en discusión: Una apuesta por las metodologías horizontales. Universidad de Guadalajara / CALAS.
  14. Haraway D (1988) Situated knowledges: the science question in feminism and the privilege of partial perspective. Feminist Studies 14(3): 575–599.
  15. Lugones, M. (2011). Hacia un feminismo descolonial. La manzana de la discordia, 6(2), 105-117.
  16. Lugones, M. (2018). Hacia metodologías de la decolonialidad. L. Solano., Xochitl, J. Alonso, R. Hernández, A. Escobar, A. Köhler, A. Cumes, R. Sandoval et al, Prácticas otras de conocimiento (s). Entre crisis, entre guerras, 3, 75-92.
  17. Olmeda, G. J., & Luque, D. (2020). Relecturas de Paulo Freire en el siglo XXI. Cincuenta años de Pedagogía del Oprimido. Educación XX1, 23(2), 145-164.
  18. Paredes, J. (2010). Hilando fino desde el feminismo indígena comunitario. Aproximaciones críticas a las prácticas teóricas políticas del feminismo latinoamericano, 1, 117-120.
  19. Rahman, M. A., & Borda, O. F. (1988). Romper el monopolio del conocimiento: situación actual y perspectivas de la Investigación-Acción participativa en el mundo. Análisis político, (5), 46-55.
  20. Sandoval-Forero, E. A. (2021). Sentipensar intercultural y metodología para la sustentabilidad de desarrollos otros. Universidad Autónoma Indígena de México.
  21. Segato, R. L. (2012). Gênero e colonialidade: em busca de chaves de leitura e de um vocabulário estratégico descolonial. E-cadernos ces, (18).
  22. Svampa, M. (2019). Las fronteras del neoextractivismo en América Latina: conflictos socioambientales, giro ecoterritorial y nuevas dependencias (p. 144). Bielefeld University Press.
  23. Tomiatti Giancola, B., & Donayre Guerrero, L. (2024). Intersecciones entre la comunicación decolonial y la ética del cuidado. Revista Protocolo y Comunicación, 1(4).
  24. Velásquez, L. A., Alvarado, S. Y., & Barroeta, V. V. (2021). Investigación-acción-participativa: alternativa metodológica para el estudio de las comunidades. Revista Scientific, 6(21), 314–335.
  25. Walsh, C. (2010). Interculturalidad crítica y educación intercultural. Construyendo interculturalidad crítica, 75(96), 167-181.

Novidades

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